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Gênesis

Gênesis 35: Jacó volta a Betel e Raquel morre

Leia Gênesis 35 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Jacó dorme sobre a pedra e sonha com a escada que sobe ao céu
Jusepe de Ribera, O sonho de Jacó, 1639. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Gênesis 35 fecha um ciclo da vida de Jacó. Deus o manda subir a Betel, e ele purifica a família, enterrando os deuses estrangeiros. Em Betel, Deus confirma o nome Israel e renova as promessas. No caminho, Raquel morre ao dar à luz Benjamim, perto de Belém, e o capítulo termina com a lista dos doze filhos de Jacó e a morte de Isaac.

Contexto de Gênesis 35

Depois da violência em Siquém (Gênesis 34), Jacó está em perigo e sua família está ferida. É nesse momento que Deus o chama de volta a Betel, o lugar onde, vinte anos antes, teve o sonho da escada e fez um voto (Gênesis 28). O capítulo reúne vários episódios curtos, como um resumo final da história de Jacó antes de o foco passar para José.

Explicação de Gênesis 35

Versículos 1 a 5: a purificação da família

Deus diz a Jacó que suba a Betel e construa ali um altar ao Deus que lhe apareceu quando fugia de Esaú. Jacó entende que não pode ir ao encontro de Deus de qualquer jeito. Manda a família tirar os deuses estrangeiros, purificar-se e trocar de roupa. Todos entregam os ídolos e os brincos, que provavelmente tinham ligação com esses cultos, e Jacó os enterra debaixo do carvalho perto de Siquém.

É um verdadeiro rito de conversão: abandonar os ídolos, purificar-se e vestir roupa nova. Talvez estivessem ali também os terafins que Raquel roubou do pai (Gênesis 31). Durante a viagem, um terror divino cai sobre as cidades vizinhas, e ninguém persegue os filhos de Jacó.

Versículos 6 a 8: o altar em Betel e a morte de Débora

Jacó chega a Luz, que é Betel, constrói um altar e chama o lugar de El-Betel, “o Deus de Betel”. O voto feito na juventude é cumprido. Em seguida o texto registra a morte de Débora, a ama de Rebeca, enterrada sob um carvalho que recebe o nome de “Carvalho do Pranto”. É um detalhe singelo: a Bíblia guarda a memória de uma serva fiel, que acompanhou a família por décadas.

Versículos 9 a 15: Deus confirma o nome Israel

Deus aparece de novo a Jacó e o abençoa. Confirma: “Teu nome é Jacó, mas já não te chamarás Jacó: teu nome será Israel” (Gn 35,10). Depois se apresenta como o Deus Todo-Poderoso, El Shaddai, o mesmo nome usado com Abraão (Gn 17,1), e renova as promessas: Jacó será fecundo, dele sairá uma nação e uma assembleia de nações, reis nascerão dele, e a terra dada a Abraão e Isaac será sua e de seus descendentes.

Jacó levanta uma coluna de pedra, derrama sobre ela uma libação e óleo, e confirma o nome Betel. A cena retoma a de Gênesis 28. O que naquela época era promessa, agora é história vivida. O nome dado na luta do Jaboc (Gênesis 32) é solenemente confirmado no lugar santo.

Versículos 16 a 20: a morte de Raquel

No caminho de Betel para Efrata, Raquel entra num parto difícil. A parteira a encoraja dizendo que é mais um menino, cumprindo o desejo que ela expressou ao dar à luz José (Gn 30,24). Morrendo, Raquel chama o filho de Ben-Oni, “filho da minha dor”. Jacó muda o nome para Benjamim, “filho da mão direita”, isto é, filho da felicidade e da força.

Raquel é sepultada no caminho de Efrata, que é Belém, e Jacó ergue uma coluna sobre o túmulo. Há debate entre os estudiosos sobre a localização exata, pois outro texto situa o túmulo no território de Benjamim (1Sm 10,2). O profeta Jeremias apresenta Raquel chorando por seus filhos levados ao exílio (Jr 31,15), e o Evangelho de Mateus aplica esse choro ao massacre dos inocentes em Belém (Mt 2,18).

Versículos 21 e 22: o pecado de Rúben

Israel segue viagem e acampa além de Migdal-Éder, nome que significa “torre do rebanho”. Ali Rúben, o primogênito, se deita com Bala, concubina do pai. O texto registra apenas que Israel ficou sabendo. Mais do que um pecado sexual, era uma tentativa de tomar o lugar do pai como chefe da família. Por causa disso, Rúben perderá os direitos de primogênito (Gn 49,3-4).

Versículos 23 a 26: os doze filhos de Jacó

O versículo 22 termina lembrando que os filhos de Jacó eram doze, e o texto os lista os doze filhos de Jacó agrupados pelas mães. De Lia: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon. De Raquel: José e Benjamim. De Bala: Dã e Neftali. De Zelfa: Gad e Aser. Essa lista é a base das doze tribos de Israel. Benjamim é o único nascido em Canaã.

Versículos 27 a 29: a morte de Isaac

Jacó chega a Mambré, perto de Hebron, onde vivia seu pai. Isaac morre com cento e oitenta anos, velho e cheio de dias, e é reunido aos seus antepassados. Esaú e Jacó o sepultam juntos. Assim como Isaac e Ismael enterraram Abraão (Gn 25,9), os dois irmãos reconciliados se reencontram junto ao túmulo do pai.

O que Gênesis 35 ensina para a fé católica?

O primeiro ensinamento é a conversão como preparação para o encontro com Deus. Antes de subir ao altar, Jacó tira os ídolos, purifica a família e troca de roupa. A Igreja vive algo parecido no Batismo, quando renunciamos ao mal e recebemos a veste branca, e na Confissão, que nos prepara para a Eucaristia. O culto verdadeiro exige deixar os ídolos.

O segundo é a fidelidade de Deus no tempo. Betel é o lugar da promessa e do cumprimento. Deus disse que traria Jacó de volta, e trouxe. As promessas renovadas apontam para o futuro: os reis que sairão de Jacó prefiguram a dinastia de Davi, e por ela o Messias.

O terceiro é a dor que convive com a bênção. O capítulo junta revelação e morte: Débora, Raquel e Isaac morrem. A fé não poupa Jacó do luto. Mas a mudança de nome de Benjamim mostra que a dor não precisa ter a última palavra. Sobre como a Igreja nos ensina a viver esses momentos, veja como viver o luto cristão.

Reflexão para hoje

Muitas vezes queremos recomeçar com Deus sem tirar nada do lugar. Jacó mostra outro caminho: antes de voltar a Betel, ele enterra os ídolos. Pode ser útil perguntar o que precisa ser “enterrado” na nossa casa: um vício, uma mágoa, um hábito que afasta a família de Deus. Recomeçar exige decisão concreta.

A morte de Raquel toca quem já perdeu alguém de modo inesperado. Ela morre no caminho, perto do fim da viagem, dando a vida a um filho. Muitas mães e pais conhecem o peso desse “filho da minha dor”. Jacó não nega a dor, mas escolhe um nome que olha para a frente. É um gesto de esperança, não de esquecimento.

E há o reencontro dos irmãos no enterro do pai. Muitas famílias só se reúnem nos funerais. Que bom quando, como Jacó e Esaú, os irmãos já se reconciliaram antes e podem chorar juntos.

Para rezar com Gênesis 35

  • Que “ídolo” eu preciso enterrar para voltar ao meu Betel, ao meu primeiro encontro com Deus?
  • Que promessa de Deus eu já vi se cumprir na minha vida?
  • Como posso transformar uma dor que vivi em esperança, como Jacó com Benjamim?

Sugestão de oração:

Deus Todo-Poderoso, tu cumpres as tuas promessas. Ajuda-me a deixar os ídolos que me afastam de ti e a voltar, purificado, ao lugar onde te conheci. Nas perdas e no luto, sustenta a minha esperança e dá-me olhos para ver que tu continuas comigo. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

Perguntas sobre Gênesis 35

Onde Raquel foi sepultada?

Gênesis 35 diz que Raquel foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém. Há debate entre estudiosos sobre o local exato, pois 1 Samuel 10,2 situa o túmulo no território de Benjamim.

O que significa o nome Benjamim?

Raquel, ao morrer, chamou o filho de Ben-Oni, “filho da minha dor”. Jacó mudou o nome para Benjamim, “filho da mão direita”, um nome de força e de bênção.

Quem são os doze filhos de Jacó?

Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulon, filhos de Lia; José e Benjamim, de Raquel; Dã e Neftali, de Bala; Gad e Aser, de Zelfa. Deles vêm as doze tribos de Israel.

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