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Filipenses

Filipenses 4: alegrai-vos sempre no Senhor

Leia Filipenses 4 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo na prisão, sentado e pensativo, com a carta no colo sob um raio de luz
Rembrandt, São Paulo na Prisão, 1627. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Filipenses 4 é o capítulo da alegria e da paz. Paulo pede que os filipenses se alegrem sempre no Senhor, que não se inquietem com nada e apresentem tudo a Deus na oração, com ação de graças. A paz de Deus guardará seus corações. No fim, ele agradece a ajuda recebida e diz que aprendeu a viver na abundância e na pobreza, porque tudo pode naquele que o fortalece.

Contexto de Filipenses 4

É o último capítulo da carta. Depois da advertência do capítulo 3, Paulo volta ao tom afetuoso. Primeiro, faz exortações a toda a comunidade e a duas mulheres em desacordo. Depois agradece pela ajuda material que os filipenses lhe enviaram por meio de Epafrodito, que já apareceu em Filipenses 2,25-30. Os filipenses eram muito próximos de Paulo: segundo o próprio capítulo, foram a única comunidade que partilhou com ele seus bens no início da pregação do Evangelho.

Explicação de Filipenses 4

Versículo 1: minha alegria e minha coroa

Paulo chama os filipenses de irmãos amados e muito queridos, sua alegria e sua coroa. A coroa era o prêmio dado ao vencedor nas competições. A comunidade é o fruto do seu trabalho, aquilo de que ele se alegrará no dia de Cristo. Por isso pede que permaneçam firmes no Senhor.

Versículos 2 e 3: Evódia e Síntique

Paulo exorta duas mulheres, Evódia e Síntique, a terem o mesmo sentimento no Senhor. Não sabemos o motivo do desacordo entre elas. Paulo pede a um fiel companheiro, cujo nome não sabemos com certeza, que as ajude a se reconciliar. Ele lembra que essas mulheres lutaram com ele pelo Evangelho, junto com Clemente e outros colaboradores, cujos nomes estão no livro da vida. O texto mostra que mulheres tinham papel ativo na missão da comunidade de Filipos, como Lídia nos Atos (At 16,14-15).

Versículos 4 a 7: a alegria e a paz

Então vem o convite mais conhecido da carta: “Alegrai-vos sempre no Senhor; repito, alegrai-vos” (Fl 4,4). A alegria não depende das circunstâncias, porque está no Senhor. Paulo escreve isso da prisão. Ele pede também que a bondade dos filipenses seja conhecida de todos, e lembra: o Senhor está próximo. A proximidade pode ser entendida tanto como a vinda de Cristo no fim dos tempos quanto como sua presença constante junto aos seus.

Em seguida, um conselho contra a ansiedade: não se inquietem com coisa alguma. Em vez disso, em toda necessidade, apresentem a Deus seus pedidos, em oração e súplica, com ação de graças. Paulo não diz que os problemas desaparecerão, mas que a paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará os corações e os pensamentos em Cristo Jesus. O verbo guardar é militar: a paz de Deus monta guarda, como uma sentinela, sobre o coração.

Versículos 8 e 9: no que pensar

Paulo pede que os filipenses ocupem os pensamentos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, de boa fama, com tudo o que é virtude e merece louvor. Ele usa palavras que os filósofos da época também conheciam, mostrando que o cristão acolhe todo bem verdadeiro onde ele estiver. E acrescenta: pratiquem o que aprenderam, receberam, ouviram e viram nele. Então o Deus da paz estará com eles. Antes, a paz de Deus; agora, o próprio Deus da paz.

Versículos 10 a 14: tudo posso

Paulo se alegra no Senhor porque os filipenses voltaram a mostrar cuidado por ele. Logo explica que não fala por causa de necessidade, pois aprendeu a se contentar com o que tem. Sabe viver na pobreza e sabe viver na abundância. Em toda e qualquer situação, aprendeu o segredo de estar saciado e de passar fome, de ter fartura e de passar privação.

E conclui: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13). O contexto é importante. A frase não promete que o cristão conseguirá tudo o que deseja. Paulo fala da força para enfrentar qualquer situação, boa ou má, sem perder a fé e a paz, porque Cristo o sustenta. Mesmo assim, ele agradece aos filipenses por terem participado da sua tribulação.

Versículos 15 a 20: a generosidade dos filipenses

Paulo lembra que, no início da pregação do Evangelho, quando saiu da Macedônia, nenhuma comunidade, a não ser a dos filipenses, partilhou com ele. Até em Tessalônica mandaram ajuda mais de uma vez. Ele não procura o presente em si, mas o fruto que aumenta na conta deles diante de Deus. Agora recebeu de Epafrodito tudo o que enviaram e tem até de sobra. Essa ajuda é descrita com linguagem de culto: perfume de suave odor, sacrifício aceito e agradável a Deus. A caridade é também um ato de culto. E Paulo garante: o seu Deus proverá todas as necessidades deles, segundo a sua riqueza, com glória, em Cristo Jesus. A Deus, nosso Pai, a glória para sempre.

Versículos 21 a 23: as saudações

Paulo pede que saúdem cada um dos santos em Cristo Jesus e envia saudações dos irmãos que estão com ele e de todos os santos, especialmente os da casa de César. A expressão pode indicar servidores ou funcionários ligados à administração imperial, o que mostra que o Evangelho já tinha chegado a esses ambientes. A carta termina com a bênção: a graça do Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito.

O que Filipenses 4 ensina para a fé católica?

O Catecismo cita Filipenses 4,6-7 ao explicar a oração de petição, entre os textos que convidam a apresentar a Deus os pedidos em todas as ocasiões (CIC n. 2633). A oração cristã une súplica e ação de graças: pedimos porque confiamos, e agradecemos porque já recebemos muito.

A liturgia lê Filipenses 4,4-7 no Terceiro Domingo do Advento do Ano C. Esse domingo é chamado Gaudete, alegrai-vos, por causa da antífona de entrada inspirada em Filipenses 4,4-5. A Igreja vê na alegria um sinal da proximidade do Senhor que vem.

O capítulo também ensina sobre a caridade e a partilha. A ajuda dos filipenses a Paulo é chamada de sacrifício agradável a Deus. A esmola, a partilha e o sustento da missão da Igreja fazem parte da vida cristã.

Reflexão para hoje

A ansiedade é uma das grandes dores do nosso tempo. Filipenses 4,6-7 não é uma fórmula mágica nem substitui o cuidado médico quando ele é necessário. Mas oferece um caminho: transformar a preocupação em oração. Em vez de repetir mentalmente o problema, apresentá-lo a Deus, com sinceridade, e agradecer pelo que já recebemos. O site tem uma oração para a ansiedade e a paz interior que pode ajudar.

O conselho dos versículos 8 e 9 também é muito atual. Aquilo em que pensamos molda o que sentimos e fazemos. Notícias ruins, discussões e comparações nas redes enchem a mente de inquietação. Paulo sugere escolher alimentar o pensamento com o que é verdadeiro, bom e belo.

Por fim, o tudo posso naquele que me fortalece serve para os dias bons e os dias ruins. Para quem perdeu o emprego, para quem cuida de um doente, para quem recebeu uma promoção e corre o risco de se esquecer de Deus. Em todas as situações, Cristo é a força.

Para rezar com Filipenses 4

  • O que me deixa inquieto hoje, e como posso apresentar isso a Deus com ação de graças?
  • Com que tipo de pensamentos eu tenho alimentado minha mente?
  • Eu sei viver contente com o que tenho, na abundância e na falta?

Sugestão de oração:

Senhor, tu estás perto. Coloco diante de ti as minhas preocupações e te agradeço por tudo o que já me deste. Que a tua paz, que ultrapassa todo entendimento, guarde o meu coração e os meus pensamentos. Ensina-me a alegrar-me sempre em ti e a encontrar em Cristo a força para cada situação. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2633; Missal Romano, Terceiro Domingo do Advento.

Perguntas sobre Filipenses 4

O que significa tudo posso naquele que me fortalece?

No contexto, Paulo diz que aprendeu a viver na pobreza e na abundância. A frase não promete realizar todos os desejos, mas afirma que Cristo dá força para enfrentar qualquer situação com fé e paz (Fl 4,13).

O que Filipenses 4 diz sobre a ansiedade?

Paulo pede que não nos inquietemos com nada, mas que apresentemos tudo a Deus em oração, com súplica e ação de graças. Então a paz de Deus guardará nossos corações e pensamentos em Cristo.

Por que o Terceiro Domingo do Advento se chama Gaudete?

Porque a antífona de entrada começa com a palavra latina Gaudete, alegrai-vos, inspirada em Filipenses 4,4-5. É um domingo que destaca a alegria pela proximidade do Senhor.

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