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Êxodo

Êxodo 11: o anúncio da morte dos primogênitos

Leia Êxodo 11 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Moisés ergue as tábuas da Lei com os Dez Mandamentos
Rembrandt, Moisés com as tábuas da Lei, 1659. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Êxodo 11 é um capítulo curto que anuncia a décima e última praga: a morte dos primogênitos do Egito. Deus diz a Moisés que, depois dela, o faraó deixará o povo partir e até o expulsará. Os israelitas devem pedir aos egípcios objetos de prata e ouro. É uma passagem difícil, que pede leitura serena e atenta ao contexto.

Contexto de Êxodo 11

O capítulo anterior terminou com o rompimento entre Moisés e o faraó: o rei o proibiu de voltar à sua presença, e Moisés respondeu que não veria mais a sua face (Ex 10,28-29). Muitos estudiosos entendem que as palavras de Moisés no capítulo 11 continuam esse último encontro, antes de ele sair “ardendo de cólera”. O capítulo funciona como uma ponte entre as nove pragas e a noite da Páscoa, narrada no capítulo 12.

Explicação de Êxodo 11

Versículos 1 a 3: mais uma praga e o pedido aos egípcios

O Senhor diz a Moisés: farei vir ainda mais uma praga sobre o faraó e sobre o Egito; depois disso, ele vos deixará partir, e mais ainda, vos expulsará. Deus manda que cada israelita, homem e mulher, peça ao vizinho egípcio objetos de prata e de ouro. O texto acrescenta que o Senhor fez o povo encontrar favor aos olhos dos egípcios, e que Moisés era muito estimado no país, pelos servos do faraó e pelo povo.

Esse pedido já fora anunciado na sarça ardente (Ex 3,21-22). Não se trata de roubo. Muitos comentadores lembram que a lei de Israel mandava que o escravo libertado não saísse de mãos vazias (Dt 15,13-14). Depois de gerações de trabalho forçado sem salário, esses bens são uma reparação. Também é notável que os egípcios comuns, ao contrário do seu rei, tratem os israelitas com simpatia. Mais adiante, o povo oferecerá joias de ouro e prata para a construção do santuário (Ex 35,22).

Versículos 4 a 8: o anúncio da meia-noite

Moisés anuncia ao faraó: assim diz o Senhor: por volta da meia-noite passarei pelo meio do Egito. Morrerá todo primogênito no país, desde o primogênito do faraó, que se senta no trono, até o primogênito da escrava que trabalha no moinho, e todos os primeiros nascidos dos animais. Haverá um grande clamor em todo o Egito, como nunca houve nem haverá.

O contraste é intencional. No começo do livro, eram os israelitas que clamavam sob a escravidão, e Deus ouviu (Ex 3,7). Agora o clamor estará do lado do Egito. Entre os israelitas, porém, nem um cão latirá contra pessoa ou animal, para que se saiba que o Senhor faz distinção entre o Egito e Israel. A imagem do cão que não late indica paz e segurança completas naquela noite.

Moisés conclui: então todos esses teus servos virão a mim e se prostrarão, dizendo: sai, tu e todo o povo que te segue. E depois disso sairei. Moisés deixa o palácio cheio de indignação, diante da obstinação do rei.

Versículos 9 e 10: o resumo das pragas

Os dois últimos versículos resumem tudo o que aconteceu até aqui. Deus já tinha dito que o faraó não escutaria, para que se multiplicassem os prodígios no Egito. Moisés e Aarão realizaram todos esses sinais diante do faraó, mas o Senhor endureceu o coração do rei, e ele não deixou os israelitas partirem. O narrador fecha a série das nove pragas e prepara o grande acontecimento da Páscoa.

O que Êxodo 11 ensina para a fé católica?

A morte dos primogênitos é um dos textos mais duros da Bíblia. A Igreja não o esconde nem o suaviza, mas o lê no seu contexto. Primeiro, é a resposta a uma opressão que começou com o assassinato dos meninos hebreus no Nilo (Ex 1,22) e que o faraó manteve diante de nove avisos. Deus chamara Israel de seu “filho primogênito” e advertira o rei: se não deixares ir o meu filho, farei morrer o teu primogênito (Ex 4,22-23).

Isso não torna a dor menos real. O próprio texto registra o grande clamor que subirá de cada casa do Egito, da do faraó à da escrava do moinho. Os primogênitos egípcios não eram responsáveis pela política do rei, e a fé não pede que se celebre a morte de ninguém: Deus não tem prazer na morte nem mesmo do ímpio (Ez 18,23). A Bíblia apresenta Deus como Senhor da vida e da morte e lê esse acontecimento como juízo sobre um poder que escravizava e matava, não como vingança contra crianças.

Segundo, o Concílio Vaticano II ensina que os livros do Antigo Testamento, embora contenham também coisas imperfeitas e transitórias, mostram a verdadeira pedagogia divina (Dei Verbum 15). A linguagem do texto pertence a um mundo antigo, que atribuía diretamente a Deus tudo o que acontecia na história. Isso não diminui a verdade do texto, mas pede que ele seja lido dentro do conjunto da Escritura. A revelação vai se aprofundando até Cristo, que revela plenamente o rosto do Pai.

E aqui está a chave cristã. Na Páscoa definitiva, quem morre não é o primogênito do opressor. É o próprio Filho primogênito de Deus que se entrega, para que todos sejam libertados (Rm 8,29-32). A noite do Egito encontra a sua resposta na noite da cruz e da ressurreição. Para refletir sobre esse mistério, veja por que Deus permite o sofrimento.

Reflexão para hoje

O faraó teve nove oportunidades. Cada praga era um aviso e um convite. A dureza do seu coração não foi um acidente, mas uma série de recusas. O texto nos faz pensar nas oportunidades de conversão que Deus nos dá e que adiamos para depois. O tempo de responder é hoje.

Os egípcios comuns trataram os israelitas com favor, mesmo enquanto o seu rei os oprimia. Nem todos os que pertencem a um sistema injusto concordam com ele. Isso nos convida a não generalizar e a reconhecer o bem onde ele existe, também entre os que estão do “outro lado”.

Por fim, a promessa de que “nem um cão latirá” contra os israelitas é uma palavra de paz para quem vive com medo. Na noite mais difícil, Deus guarda os seus.

Para rezar com Êxodo 11

  • Que convite de Deus à conversão eu tenho adiado?
  • Sei reconhecer o bem em pessoas que pensam ou vivem de modo diferente de mim?
  • Como confio na proteção de Deus nas minhas noites difíceis?

Sugestão de oração:

Senhor, tu ouves o clamor dos oprimidos e és fiel até o fim. Não permitas que eu endureça o coração diante dos teus avisos. Guarda-me e guarda a minha família nas noites escuras, e faz-me compreender que, em Jesus, o teu Filho, tu nos amaste até entregá-lo por nós. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, n. 15.

Perguntas sobre Êxodo 11

Qual foi a décima praga do Egito?

A morte dos primogênitos do Egito, de pessoas e animais, anunciada em Êxodo 11 e narrada em Êxodo 12. Depois dela, o faraó deixou o povo partir.

Os israelitas roubaram os egípcios?

Não. Eles pediram objetos de prata e ouro, e os egípcios os deram de boa vontade. Muitos comentadores veem nisso uma reparação por anos de trabalho escravo sem salário.

Como entender a morte dos primogênitos?

A Igreja lê o texto no contexto da opressão do Egito e da pedagogia progressiva de Deus no Antigo Testamento. Em Cristo, é o próprio Filho de Deus que se entrega para libertar todos.

Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.