2 Coríntios 9 completa o ensinamento de Paulo sobre a coleta para os pobres de Jerusalém. Ele pede que os coríntios preparem a oferta com antecedência, compara a generosidade a uma semeadura e lembra que Deus ama quem dá com alegria. Ao final, mostra que a partilha faz nascer ação de graças e comunhão entre as igrejas.
Contexto de 2 Coríntios 9
O capítulo continua o tema do capítulo 8. Alguns estudiosos pensam que os capítulos 8 e 9 eram, na origem, dois bilhetes diferentes sobre a coleta, porque Paulo parece começar o assunto de novo. Outros veem apenas uma retomada natural. De qualquer modo, o capítulo 9 aprofunda o sentido espiritual da partilha.
A Acaia era a região de Corinto, e a Macedônia, a região de Filipos e Tessalônica, de onde Paulo escreve. Ele tinha elogiado a prontidão dos coríntios diante dos macedônios e agora quer que esse elogio se confirme.
Explicação de 2 Coríntios 9
Versículos 1 a 5: preparar a oferta com antecedência
Paulo diz que nem seria necessário escrever sobre esse serviço aos santos, pois conhece a boa vontade dos coríntios. Ele mesmo se orgulhou deles diante dos macedônios, dizendo que a Acaia estava pronta desde o ano anterior, e esse zelo estimulou muitos. Por isso envia os irmãos antes dele: para que tudo esteja preparado.
Paulo usa um argumento bem humano. Se alguns macedônios forem com ele e encontrarem a coleta por fazer, tanto ele quanto os coríntios ficarão envergonhados. Por isso a oferta deve estar pronta antes, como verdadeira bênção, isto é, um dom generoso, e não como algo arrancado à força. Ele distingue o presente feito de coração da contribuição feita a contragosto.
Versículos 6 e 7: semear com generosidade
Paulo usa a imagem da agricultura: quem semeia pouco, pouco colherá; quem semeia com generosidade, com generosidade colherá. A ideia era conhecida da sabedoria de Israel (Pr 11,24 e 25). Dar não é perder, é semear.
Depois vem a frase mais conhecida do capítulo: cada um dê conforme decidiu em seu coração, sem tristeza nem constrangimento, “pois Deus ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7). A expressão lembra um versículo de Provérbios 22,8 na tradução grega antiga. O que agrada a Deus não é o valor, mas a alegria e a liberdade do coração que dá.
Versículos 8 a 11: Deus dá a semente
Paulo tranquiliza os coríntios. Deus tem poder para cumulá-los de todo tipo de graça, de modo que tenham sempre o necessário e ainda sobre para toda boa obra. Ele cita o Salmo 112,9, que fala do justo que distribui aos pobres e cuja justiça permanece para sempre.
Em seguida, usa uma imagem tirada de Isaías 55,10: Deus é quem dá a semente ao semeador e o pão para comer. Ele também dará e multiplicará a semente dos coríntios e fará crescer os frutos da sua justiça. Quem dá não fica mais pobre: Deus enriquece quem é generoso, para que possa continuar sendo generoso. A riqueza de que Paulo fala não é só material, mas sobretudo a capacidade de fazer o bem.
Versículos 12 a 15: partilha e ação de graças
Paulo amplia o horizonte. Esse serviço não só supre as necessidades dos santos de Jerusalém, mas também faz transbordar muitas ações de graças a Deus. Os cristãos de Jerusalém, ao receberem a ajuda, glorificarão a Deus pela fé dos coríntios no Evangelho de Cristo e pela generosidade da comunhão com eles e com todos. E rezarão por eles, com afeto, por causa da graça que Deus lhes concedeu.
Aqui se vê a importância da coleta para Paulo. A Igreja de Jerusalém era formada por cristãos de origem judaica; as de Corinto e da Macedônia, sobretudo por cristãos vindos do paganismo. A ajuda material era sinal visível de que eram um só corpo. Paulo termina com uma exclamação: graças a Deus pelo seu dom inefável. Muitos intérpretes veem nesse dom indizível o próprio Cristo, fonte de toda generosidade.
O que 2 Coríntios 9 ensina para a fé católica?
O capítulo ensina que a esmola e a partilha são atos de fé e de culto. Paulo usa para a coleta palavras que, no grego, também se aplicam ao serviço religioso. Dar aos pobres é uma forma de louvar a Deus e de viver a comunhão na Igreja.
Ensina ainda que a generosidade deve ser livre e alegre. A Igreja pede que os fiéis ajudem nas necessidades da comunidade de acordo com suas possibilidades, mas o espírito é o da liberdade do coração e não o de uma taxa imposta com tristeza.
Por fim, mostra a confiança na Providência. Deus não se deixa vencer em generosidade. Isso não é promessa de enriquecimento fácil, mas a certeza de que Deus cuida de quem partilha e lhe dá meios para continuar fazendo o bem. Veja também as virtudes teologais da fé, esperança e caridade.
Reflexão para hoje
Existe uma forma triste de dar: com cálculo, com medo de faltar, com a sensação de estar perdendo. E existe a forma alegre: dar como quem planta, sabendo que Deus cuida da colheita. Paulo nos convida a esta segunda forma. Vale observar como damos, seja dinheiro, seja tempo, seja atenção: com alegria ou de má vontade?
O conselho de preparar com antecedência também é prático. Quem decide no coração, com calma, quanto vai partilhar, dá melhor do que quem decide no impulso ou sob pressão. Muitas famílias reservam uma parte da renda para a paróquia e para obras de caridade, como gesto planejado de gratidão.
Por fim, a generosidade cria laços. A ajuda que damos a alguém desconhecido pode se tornar oração dessa pessoa por nós. A caridade une pessoas que talvez nunca se encontrem. É a comunhão dos santos acontecendo no dia a dia.
Para rezar com 2 Coríntios 9
- Eu dou com alegria ou com tristeza e constrangimento?
- Confio que Deus cuida de mim quando partilho o que tenho?
- Que semente de bondade posso plantar esta semana?
Sugestão de oração:
Senhor, que dais a semente ao semeador e o pão para comer, eu vos agradeço por tudo o que recebi. Livrai-me do medo e do apego que fecham as mãos. Dai-me um coração alegre para partilhar, e fazei que a minha pequena oferta se torne ação de graças ao vosso nome. Graças a vós pelo vosso dom inefável. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).
Perguntas sobre 2 Coríntios 9
Onde está escrito que Deus ama quem dá com alegria?
O que significa “quem semeia pouco, pouco colherá”?
Qual é o “dom inefável” de 2 Coríntios 9,15?
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