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1 Coríntios

1 Coríntios 1: as divisões e a sabedoria da cruz

Leia 1 Coríntios 1 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Paulo Apóstolo de manto vermelho segura uma carta e a espada
El Greco, São Paulo Apóstolo, c. 1610–1614. Domínio público, via Wikimedia Commons.

1 Coríntios 1 abre a carta de São Paulo à comunidade cristã de Corinto. Depois da saudação e de uma ação de graças, o Apóstolo enfrenta o primeiro problema da Igreja local: as divisões entre grupos que se diziam de Paulo, de Apolo, de Cefas ou de Cristo. A resposta de Paulo é a mensagem da cruz, que parece loucura aos olhos do mundo, mas é força e sabedoria de Deus.

Contexto de 1 Coríntios 1

Corinto era uma grande cidade portuária da Grécia, situada num istmo entre dois mares. Destruída pelos romanos em 146 antes de Cristo, foi refundada como colônia romana por Júlio César um século depois. No tempo de Paulo era rica, cosmopolita, cheia de comércio, de religiões diferentes e de gente de várias origens. Paulo fundou ali a comunidade e ficou cerca de um ano e meio, como conta Atos 18.

A carta foi escrita de Éfeso (1Cor 16,8), provavelmente em meados dos anos 50, embora a data exata seja discutida. Paulo responde a notícias trazidas por pessoas da casa de Cloé e a perguntas que a própria comunidade lhe enviou por escrito. Por isso a carta trata de muitos assuntos práticos: divisões, moral, casamento, carnes oferecidas aos ídolos, a Ceia do Senhor, os carismas e a ressurreição. Para conhecer melhor o autor, veja a página sobre São Paulo, o apóstolo dos gentios.

Explicação de 1 Coríntios 1

Versículos 1 a 3: a saudação

Paulo se apresenta como apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus. Não é um título que ele deu a si mesmo, mas um chamado. Junto com ele escreve Sóstenes, um irmão conhecido da comunidade. A carta é dirigida à Igreja de Deus que está em Corinto. A expressão é forte: a comunidade não pertence a Paulo nem aos coríntios, pertence a Deus.

Os fiéis são chamados de santificados em Cristo Jesus e chamados a ser santos. A santidade aqui é, antes de tudo, um dom: pelo Batismo eles foram separados para Deus. Ao mesmo tempo, é uma vocação que precisa ser vivida. Paulo acrescenta que eles estão unidos a todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome do Senhor. A Igreja de Corinto faz parte de algo maior, a Igreja inteira. Termina com o desejo de graça e paz, que une a saudação grega e a saudação judaica.

Versículos 4 a 9: a ação de graças

Antes de corrigir, Paulo agradece. Ele reconhece que os coríntios foram enriquecidos em Cristo com toda palavra e todo conhecimento, e que não lhes falta nenhum dom enquanto esperam a manifestação do Senhor. Mais adiante a carta mostrará que esses dons estavam sendo mal usados, mas Paulo começa pelo bem que Deus já fez.

O centro dessa oração é a fidelidade de Deus: foi Ele quem os chamou à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, e Ele os sustentará até o fim. A palavra comunhão (em grego, koinonia) vai aparecer de novo na carta, ligada à Eucaristia. A confiança não está nos méritos da comunidade, mas em Deus que é fiel.

Versículos 10 a 17: as divisões na comunidade

Paulo pede, em nome do Senhor, que todos estejam de acordo e que não haja divisões entre eles. Pessoas da casa de Cloé contaram que havia brigas. Uns diziam ser de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas, outros de Cristo. Apolo era um pregador eloquente vindo de Alexandria, que tinha trabalhado em Corinto (At 18,24 a 28). Cefas é o nome aramaico de Pedro. Os coríntios estavam tratando os pregadores como mestres de escolas filosóficas, cada grupo com seu líder.

Paulo responde com três perguntas: Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado por vocês? Foram batizados em nome de Paulo? A resposta é óbvia. O cristão pertence a Cristo, e não a quem o batizou ou evangelizou. Paulo chega a dizer que agradece por ter batizado poucos ali: Crispo, Gaio e a família de Estéfanas. Ele não despreza o Batismo, mas lembra que sua missão principal era anunciar o Evangelho, e não com eloquência humana, para que a cruz de Cristo não perdesse sua força.

Versículos 18 a 25: a mensagem da cruz

Aqui está o coração do capítulo. A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que se salvam é poder de Deus. Paulo cita Isaías 29,14, onde Deus anuncia que confundirá a sabedoria dos sábios. Onde estão o sábio, o escriba, o pensador deste mundo? A sabedoria humana, sozinha, não chegou a conhecer Deus de verdade.

Os judeus pediam sinais, isto é, prodígios que provassem a ação de Deus. Os gregos buscavam sabedoria, isto é, um sistema de pensamento elegante. Paulo responde: “nós pregamos Cristo crucificado” (1Cor 1,23). A crucifixão era o castigo mais humilhante do Império Romano, reservado a escravos e rebeldes. Anunciar um Messias crucificado era escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas, para os chamados, Cristo é força de Deus e sabedoria de Deus. O que parece fraqueza em Deus é mais forte que os homens.

Versículos 26 a 31: Deus escolhe os pequenos

Paulo convida os coríntios a olharem para si mesmos. Entre eles não havia muitos sábios segundo o mundo, nem muitos influentes, nem muitos de família nobre. Deus escolheu o que o mundo considera fraco e sem valor para confundir os que se julgam fortes. Assim ninguém pode se orgulhar diante de Deus.

Tudo o que os cristãos têm vem de Deus: Cristo se tornou para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção. O capítulo termina com uma citação livre de Jeremias 9,22 e 23: quem se gloria, glorie-se no Senhor. O orgulho que dividia a comunidade é curado pela humildade diante de um Deus que salva pela cruz.

O que 1 Coríntios 1 ensina para a fé católica?

O capítulo mostra que a unidade é uma marca essencial da Igreja. A Igreja não é um conjunto de grupos ao redor de líderes, mas o único Corpo de Cristo. Por isso rezamos no Credo que ela é una. Veja mais em o que é a Igreja Católica, una, santa, católica e apostólica.

O texto também ensina que a santidade começa como dom recebido no Batismo e se torna tarefa de toda a vida. E que os ministros, por mais importantes que sejam, são servidores: quem age no Batismo é Cristo.

Por fim, a cruz está no centro da fé. O Catecismo, ao falar da onipotência de Deus, lembra com Paulo que Cristo crucificado é força de Deus e sabedoria de Deus (CIC n. 272). A Igreja não esconde a cruz: ela a coloca sobre o altar, a traça sobre o corpo no sinal da cruz e a contempla na Sexta-feira Santa. São João Paulo II, na encíclica Fides et ratio, comenta esta página (n. 23): a pregação de Cristo crucificado mostra o limite da razão humana e, ao mesmo tempo, o espaço onde razão e fé podem se encontrar.

Reflexão para hoje

As divisões de Corinto não ficaram no passado. Em paróquias, movimentos e famílias, é fácil criar grupos: os do padre antigo e os do padre novo, os de uma pastoral e os de outra, os que gostam de um jeito de rezar e os que preferem outro. A pergunta de Paulo continua valendo: Cristo está dividido? Admirar um bom pregador é natural; transformar essa admiração em partido é ferir o Corpo de Cristo.

O capítulo também consola quem se sente pequeno. Deus não escolhe pelos critérios do currículo, da beleza ou do dinheiro. Ele gosta de agir por meio dos que o mundo não valoriza. Isso tira o peso de ter que provar o próprio valor e devolve a alegria de ser amado.

E a cruz ilumina o sofrimento. Quando a vida não faz sentido segundo a lógica do sucesso, o cristão olha para o Crucificado e descobre que Deus está presente justamente ali. A cruz não é o fim da história, mas o lugar onde o amor de Deus se mostrou maior.

Para rezar com 1 Coríntios 1

  • Em que situações eu alimento divisões na minha comunidade ou na minha família?
  • De que eu me orgulho? Consigo reconhecer que tudo o que tenho vem de Deus?
  • Como olho para a cruz nos momentos difíceis da minha vida?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus crucificado, força e sabedoria de Deus, livra-me do orgulho que divide e da vaidade que busca aplauso. Faze de mim instrumento de unidade na minha família e na tua Igreja. Que eu só me glorie em ti. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica; São João Paulo II, carta encíclica Fides et ratio, n. 23.

Perguntas sobre 1 Coríntios 1

Qual é o tema principal de 1 Coríntios 1?

O capítulo trata das divisões na comunidade de Corinto, onde grupos se apegavam a diferentes pregadores. Paulo responde mostrando que a unidade nasce de Cristo crucificado, que é a verdadeira sabedoria de Deus.

O que significa que a cruz é loucura para os que se perdem?

Para quem mede tudo pelo sucesso e pela lógica humana, um Messias crucificado parece absurdo. Para quem crê, a cruz revela o amor e o poder de Deus que salva.

Quem eram Apolo e Cefas em 1 Coríntios 1?

Apolo era um pregador judeu de Alexandria, eloquente, que atuou em Corinto depois de Paulo (At 18,24 a 28). Cefas é o nome aramaico de Pedro, o chefe dos apóstolos.

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